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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Bilhete

Ao jovem sobrevivente.

Dessa ferida que açoita esse jovem coração
Não deveria permanecer nenhuma dor.
Nenhum amargo que invade a alma.

Veja! Destes teus olhos silenciosos, sempre tão silenciosos.
Não deveriam permanecer assim, sempre tão quietos.
Gritaria contigo se fosse necessário, mas apenas escrevo.
Palavras cuidadosamente dobradas
num bilhete no bolso.

Vamos lá fora ver o horizonte
Não se aprisione aqui dentro
E nem traga nada nos ombros.

Ainda há tantos caminhos
para serem descobertos por seus pés.
Há tanto mistério aqui.
Não deveria tentar agarrar o tempo com as mãos.
Dê-me sua mão e vamos caminhar por essa estrada.

4 comentários:

C. Martinez disse...

"Andar de mãos dadas tem que ser firme, porque dá tranquilidade. De outra forma, é melhor não ter mão nenhuma segurando a sua."

Acabei de ler isso, coube tão bem aqui.

Ana Maria disse...

Ah Martinez, que saudades.

Vinícius Remer disse...

Uma mão que ajuda outra
Uma poesia que resgata um "jovem sobrevivente"

... disse...

e quando não se suporta nem o peso dos próprios ombros?