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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Confissões a Cora,

"Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.Muitas vezes basta ser colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E issso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura... enquanto durar.Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.
Cora Coralina
Cora parece ter sussurrado docemente essas palavras como se quisesse mesmo dizer tudo aquilo, como se quisesse que eu abrisse ainda mais os olhos para o sentimento do mundo. O fato é que ela não foi a primeira a me dizer isso, outro homem de terras distantes já me dissera tantas vezes. Enfim, agora aquelas palavras estavam cravadas tanto nos meus lábios quanto nos meus olhos e estávamos lá, eu e aquele pedaço de papel, talvez, Cora também, sentados numa cadeira de madeira e a chuva que esperávamos havia tantos dias, lá fora.
Fiquei pensando que é verdade e que é quase, senão impossível, passar por essa vida e não cruzar com nenhum outro coração, não modificar nada, seja isto de maneira boa ou ruim. Deve ser, no entanto, muito doloroso.
Criar uma cobertura em volta de si é loucura. E quem não comete suas loucuras, não? O fato é que não vale a pena se resguardar de tudo e até para as coisas ao seu redor. A casca mais fere do que protege. Você deixa de aprender, deixa de ensinar. Cora tinha razão.
Tenho que lhes confessar que me identifico um pouco com Cora, não só porque somos da mesma terra, mas porque Cora e eu gostamos da simplicidade. Não, não estou me comparando a ela. Talvez até esteja e sei que é uma grande loucura. Mas é um tanto digna de minha admiração, como muitos outros poetas.
Cora sempre se preocupava muito mais com a mensagem que queria passar do que com a forma do poema. Nasceu exatamente 100 anos antes de mim, viveu em São Paulo, como eu tanto desejo. E adotou para seu pseudônimo o nome Ana. Não é preciso dizer mais nada, não é Ana?

Um comentário:

Val Munay disse...

Lindo de morrer!!
ou de viver..
ou de tocar o coração! rs

Tudo a ver com o post que escrevi ontem e quero colocar hj no meu blog!